Antes e Depois: Sabias que professores tinham de pedir permissão para casar ao ministro?

Antes e Depois das Profissões: Professores

A vida de um Professor mudou muito nos últimos anos. Vem descobrir algumas curiosidades sobre o Antes e o Depois desta profissão…

Ao longo dos anos, a escola mudou muito! Ensinar noutros tempos era muito diferente do que é hoje, a começar pela relação professor-aluno.

Outrora, os professores eram figuras muito respeitadas na sociedade. Nas aldeias, os padres e as professoras primárias eram os bastiões dos bons costumes. Assim, as pessoas encaravam-nos quase como seres superiores, acima dos comuns mortais!

Esse respeito passava também para a sala de aula, onde tinham todo o poder e autoridade sobre as crianças que ensinavam.

Mas, socialmente, também se esperava que os professores tivessem um comportamento irrepreensível em nome da moralidade. Contudo, apesar disso, tinham ordenados baixos.

Nas décadas de 1950 e 1960, a maioria dos professores primários eram mulheres e tinham de pedir autorização para casar ao Ministro da Educação.

Esse pedido servia para a PIDE investigar se os futuros maridos estavam ligados a associações subversivas ou que pusessem o Estado Novo em perigo.

Além disso, também era preciso averiguar se os potenciais esposos das professoras tinham meios financeiros para as sustentarem, uma vez que a profissão era tão mal paga!

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Antes: Professores eram donos e senhores da sala de aula

Nos Séculos passados, a Escola era frequentada somente por algumas crianças. Mas as meninas começaram por nem poder estudar. E quando puderam ir à escola, deixavam-na após a escola primária.

As meninas que tinham sorte e, portanto, que eram mais ricas, podiam aprender a tocar piano e a bordar, entre outras coisas. Mas as mais pobres tinham que ajudar os pais na agricultura e a cuidar do gado, tal como os rapazes. Assim, por volta dos 16, 17 anos, já casavam e tinham filhos.

Nas salas de aulas, havia a fotografia de Salazar na parede, ao lado da cruz de Cristo. Contudo, quase não havia livros, nem cadernos. As crianças escreviam em lousas ou ardósias e usavam lápis de carvão.

Em vez de mochilas, carregavam sacolas feitas de pano ou de serapilheira. As crianças de famílias ricas tinham sacolas de cabedal e podiam usar sapatos, o que era quase um luxo para as mais pobres.

Repara que naquele tempo, não havia cantina e, por isso, os miúdos levavam o almoço em cestos e comiam sentados nos muros do recreio.

Na sala de aula, os professores eram donos e senhores das crianças. Portanto, podiam bater-lhes e aplicar-lhes humilhações várias.

Antes e Depois Professores: Castigos na escola

Antes: Castigos sem dó nem piedade

Antigamente, o ensino baseava-se na memorização. Por isso, era preciso decorar a tabuada, os rios todos, os distritos e por aí fora…

Além disso, as crianças tinham de rezar e cantar o Hino Nacional na escola.

No tempo da Mocidade Portuguesa, uma organização juvenil criada durante a ditadura de Salazar, as crianças também tinham de ir para a escola marchar. Geralmente, faziam isso aos sábados como parte da instrução e usavam uma farda própria.

Na escola, rapazes e raparigas estavam separados em salas diferentes. Mas também havia uma divisão por classes sociais em cada sala de aula.

“À frente, estavam os filhos dos lavradores – lembro-me até de o cocheiro levar um deles à escola. Na fila do meio, estavam os da classe média, onde eu me incluía. Lá atrás, ficava a ralé, as pessoas mais pobres, descalços, com calças com fundilhos”, conta o octogenário português António, em declarações ao jornal Nascer do Sol.

Os da fila de trás “é que apanhavam muito”, conta António. “Valia tudo: murros, puxões, pontapés”, acrescenta, concluindo que “a escola pública era horrível”. “Havia a ideia de que a violência fazia parte da educação”, lamenta.

Eram os próprios pais que davam aos professores toda a liberdade para castigarem os filhos. Assim, erros num ditado, por exemplo, ditavam o número de golpes que se recebia nos nós dos dedos com uma régua de madeira.

Mas também havia castigos com a palmatória, uma cana da Índia, puxões de orelha ou obrigando as crianças a ajoelharem-se sobre feijões ou milho. Alguns alunos eram atados à cadeira!

Algumas das punições escolares mais bizarras

Portanto, as crianças apanhavam por não saberem, por andarem à bulha ou por sujarem a roupa. Contudo, também não se podia correr no recreio, nem gritar, nem fazer nada daquilo que é suposto fazer-se na infância.

Assim, valia quase tudo! Por vezes, levavam tanto até fazer sangue!

No Brasil, o uso da palmatória tornou-se crime nos anos de 1970.

Além das agressões físicas, também havia humilhações, por exemplo, forçando crianças a usarem o “chapéu de burro” num canto, para os ridicularizem perante os colegas.

Mas os professores também faziam “inspeções” à higiene pessoal das crianças, por exemplo, para ver se tinham as orelhas lavadas. E se estivessem sujas, tinham que as lavar nos tanques das aldeias, mesmo durante o Inverno, com um frio de rachar.

Antes: Desenhocop era o lado mais “tecnológico”

No Brasil, nas décadas de 1960 e 1970 havia o Desenhocop que era um livrinho com desenhos para os trabalhos da escola, contendo, por exemplo, animais, mapas e órgãos humanos.

Portanto, o Desenhocop servia, basicamente, para se passar o lápis por cima para copiar os desenhos – era o lado mais “tecnológico” daqueles tempos! Mas custava um pouco de dinheiro e nem todos o podiam ter.

Outro equipamento que foi usado por um bom tempo nas escolas é o Mimeógrafo que era uma espécie de impressora manual com que se reproduziam as provas. Este aparelho funcionava à base de tinta e álcool e, por isso, os exames tinham um cheirinho especial!

Bem mais tarde, vieram as máquinas de escrever que pesavam algo como 4,5 quilos. E, muito depois, os computadores gigantes! Entretanto, a tecnologia evoluiu até aos portáteis e smartphones que conhecemos hoje e que são essenciais na escola e nas nossas vidas.

Porém, basta recuar até bem há poucos anos, por volta de 1990s, para perceber as grandes mudanças rápidas que aconteceram. Nessa altura, as apresentações de trabalhos eram feitas em cartolinas coloridas. E não havia o Google, mas enciclopédias para pesquisar.

Nos intervalos das aulas, os estudantes não tinham telemóveis e brincavam ao elástico ou batiam “tazos”.

Agora: Professores são mediadores de aprendizagens

Mas vai já longe o tempo dos “tazos” e dos castigos físicos nas aulas. Agora, está tudo bem diferente. Porém, ser professor não é tarefa fácil.

Ao contrário de outros tempos, atualmente, a figura do professor não existe como alguém superior ao aluno. Repara que, antigamente, havia um estrado na zona onde ficava a secretária do professor, junto ao quadro negro, que servia para o elevar, para ficar acima dos estudantes.

Atualmente, a sala de aula é vista como um espaço democrático, onde professor e aluno são quase como iguais. O docente deixou de ser a figura moralmente superior e que sabe tudo.

Antes e Depois das Profissões: Professores

Portanto, agora, o professor é, sobretudo, um mediador, pois faz a ligação entre o saber dos manuais escolares e toda a informação a que os alunos têm acesso, nomeadamente através da Internet.

Mas também passou a ser constantemente desafiado, pois os estudantes têm maior liberdade para falar e contestar. Assim, precisa de estar mais bem preparado para responder da melhor forma a eventuais dúvidas. Deste modo, deve estudar e pesquisar mais.

Porém, para lá desse conhecimento dos temas e da pedagogia, também tem de saber ganhar o respeito dos alunos. E isso só se consegue com saber, mas também com muita paciência, humildade e uma boa dose de criatividade.

Concluindo este Antes e Depois dos Professores…

Muito bom na escola nos últimos anos. Mas para lá das opiniões do que está melhor ou pior, é certo que ser professor, hoje em dia, é saber ganhar a atenção dos alunos e ensiná-los a pensar.

O docente deixou de ser aquela figura distante, escondida atrás da secretária, para interagir com os seus estudantes. Dessa proximidade sai também a confiança e o respeito para conquistar a sala de aula.

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