A curiosidade matou o gato? Nada disso: é um trunfo no mercado de trabalho

A curiosidade no mercado de trabalho

A curiosidade matou o gato é uma expressão popular usada para avisar que algo de mal pode acontecer se se for muito curioso. Mas, na verdade, é um traço essencial para triunfar no mercado de trabalho. Vem perceber porquê.

Cada vez mais, os líderes de empresas valorizam a curiosidade como uma habilidade importante nos seus colaboradores. Esta é a conclusão de pesquisas feitas na área dos Recursos Humanos, nomeadamente pela empresa de análise estatística SAS.

Alguns empregadores estão em busca de trabalhadores com esta característica para abordarem desafios do dia a dia das suas organizações.

A curiosidade define-se pela procura de novas possibilidades e, por isso, pode abrir a porta a soluções inovadoras. E isso é um grande trunfo no mercado de trabalho atual que pode dar enorme vantagem sobre a concorrência.

Mas como é que as empresas podem alimentar esse espírito curioso entre os seus funcionários? Esse é o desafio maior. Passa muito por inverter aquela ideia popular de que a curiosidade matou o gato. Na realidade, a curiosidade pode ser o diferencial que faz falta para garantir o sucesso na carreira.

Curiosidade aumenta produtividade

O mercado de trabalho está em contínua mudança, mas isso ficou ainda mais evidente devido à pandemia de covid-19.

E há alterações a acontecerem mais depressa do que se esperava. Por isso, os trabalhadores têm de saber ajustar-se a esta realidade de constantes variações.

Os próximos anos podem trazer mudanças disruptivas. Assim, a curiosidade surge como uma competência valiosa aos olhos dos executivos das grandes empresas.

Uma pesquisa feita pela SAS, junto de 2 mil gestores de todo o mundo, apurou que 72% encaram os trabalhadores curiosos como muito valiosos. Mas no Brasil, essa percentagem sobe para os 89%.

Além disso, 62% dos gestores mundiais revelam que os colaboradores mais curiosos são também mais produtivos e mais eficientes. E 59% afirmam que geram um impacto real nos negócios.

Por outro lado, a curiosidade também aumenta a satisfação no trabalho, de acordo com 58% dos gestores. Assim, ajuda à retenção de talentos, segundo 52% dos participantes da pesquisa feita pela SAS.

Este dado é muito importante no mercado de trabalho atual onde há falta de mão de obra em várias áreas. Há empresas que não conseguem manter colaboradores e outras em dificuldades para contratarem.

Na pesquisa da SAS, 16% dos gestores também confessam que é difícil manter os trabalhadores motivados. Outros desafios citados passam por manter os bons trabalhadores (52%), por levá-los a fazerem tarefas para lá dos seus deveres básicos (51%) ou por os motivarem a colaborar com outras equipas e departamentos (50%).

São problemas onde a curiosidade pode desempenhar um papel essencial, como fator de resolução dos mesmos.

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Trabalhadores curiosos analisam melhor os dados

A investigação da SAS ainda apurou que a curiosidade também ajuda a impulsionar a transformação digital no local de trabalho. Assim, 62% dos gestores consultados afirmam que leva os trabalhadores a avançarem com soluções inovadores e 52% destacam que os ajuda a analisar melhor os dados.

A curiosidade “está a tornar-se um imperativo de negócio que ajuda as empresas a enfrentarem desafios críticos e a promoverem a inovação”, analisa a diretora de Analítica da SAS para o Reino Unido e a Irlanda, Laurie Miles, em declarações divulgadas pelo site Unleash.

Laurie Miles sublinha ainda que esta característica de personalidade “também está ligada a organizações que fazem melhor o uso dos dados para entender os seus negócios e impulsionar a transformação digital”.

A curiosidade surge, assim, como fator relevante em áreas como a Engenharia Analítica, a Engenharia de Dados e o Data Analytics. Mas também é importante em profissões como Analista BI, Data Scientist e Analista de Marketing Digital, entre outras.

Esta importância reflete-se na pesquisa da SAS, com os gestores a destacarem que a curiosidade é essencial em áreas como as Tecnologias de Informação (64%), a Pesquisa e Desenvolvimento (54%) e o Marketing (46%).

O desejo de ver para lá dos números, ou seja, do óbvio, pode fazer toda a diferença na análise de um negócio. Quanto melhor for essa análise, melhores soluções será possível desenvolver em termos estratégicos para o futuro.

A curiosidade no mercado de trabalho

Crescimento de 90% nos anúncios de emprego

A empresa de análise estatística SAS também analisou a rede social LinkedIn e detetou um crescimento de 90% nas vagas de emprego publicadas com a palavra curiosidade como competência desejada.

Trata-se de um aumento de 158%, em 2020, quanto ao uso do termo curiosidade em todas as publicações na rede social profissional.

Este aumento justifica-se pelo fato de os gestores reconhecerem o papel determinante de terem trabalhadores curiosos nas suas empresas. Entre as vantagens destacadas pelos inquiridos na pesquisa da SAS estão as seguintes vertentes:

  • Eficiência e produtividade (62%)
  • Pensamento criativo (62%)
  • Colaboração e trabalho de equipa (58%)
  • Satisfação no trabalho (58%)
  • Inovação com novas soluções (62%)
  • Resolução de problemas complexos (55%)
  • Análise de dados (52%).

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Como fomentar a curiosidade no trabalho?

Agora que é evidente o papel da curiosidade no sucesso das empresas, fica a pergunta: como alimentar ou despertar essa característica nos trabalhadores?

Não basta dizer-lhes que devem ser curiosos! É preciso ensiná-los a olharem para lá do óbvio e isso passa, em primeiro lugar, pela formação.

Por outro lado, os gestores também devem compensar os colaboradores que têm maior sucesso no uso da sua curiosidade em prol da empresa. Essa compensação pode ser feita no âmbito das avaliações de desempenho, bem como nos processos de orientação individual que lhes estão associados.

Trata-se, no fundo, de dar feedback aos trabalhadores sobre o que a empresa valoriza, e sobre o que de bom estão a fazer, ou o que podem melhorar.

É, portanto, um processo contínuo e que tem de envolver todas as partes, integrando formação, treinamento e, cada vez mais, a análise de dados.

Como demonstrar curiosidade?

Neste processo, há outro dilema que pode surgir do lado dos trabalhadores. Afinal, como demonstrar curiosidade junto dos chefes?

Em primeiro lugar, é preciso aprender a ouvir – estamos a falar de um ouvir atento e ativo. Isto significa que é preciso ouvir mais do que falar, para poder fazer perguntas relevantes para o negócio.

As pessoas curiosas querem sempre saber mais – e é assim que acabam por descobrir mais! Portanto, é preciso vincar esse desejo de ver para lá do que está em cima da mesa, para que os gestores fiquem atentos.

Contudo, também é preciso mostrar os frutos desse olhar além – sem resultados, a curiosidade vale de pouco.

Outra característica comum de quem é curioso é o desejo de aprender sempre mais. Manifestar claramente essa vontade é outra forma de impressionar os gestores.

Se estiveres em falta com alguma qualificação necessária para a empresa, demonstra a tua vontade de a aprender. Faz cursos, pesquisa, lê muito e treina – tudo o que precises para melhorar nesse âmbito.

Quanto mais aprenderes, mais vontade terás de saber mais sobre o mundo – e mais oportunidades terás para mostrar o que vales!

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