Jornalismo Antes e Depois: Sabias que já havia fake news na Antiga Roma?

Antes e Depois: Jornalismo
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O Jornalismo é, atualmente, uma profissão muito diferente do que foi noutros tempos. Imaginas como era chegar e dar as notícias quando não havia Internet ou sequer telemóveis? Pois é, era um mundo completamente diferente.

Contudo, na essência, ser Jornalista continua a ser a mesma coisa desde sempre.

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Tudo o resto é publicidade.” A citação é atribuída a George Orwell, mas, independentemente do seu autor, o que importa é aquilo que significa.

Na verdade, apesar da evolução do mundo e da tecnologia, o principal papel do Jornalista continua a ser dar as notícias incómodas. Portanto, cabe-lhe informar o público sobre as verdades inconvenientes.

Mas claro que a forma como o faz, hoje em dia, mudou muito relativamente a outros tempos.

Anda connosco nesta viagem entre o Antes e o Depois do Jornalismo…

Sabias que na Antiga Roma já havia fake news?

Os jornais só apareceram no século XVIII, mas sabias que, antes disso, os romanos já tinham algo parecido? Pois é, na Antiga Roma havia o que se chamava a Acta diurna populi romani, ou seja, os factos diários do povo de Roma.

Este documento era pendurado no Fórum Magno, no centro da cidade, onde se realizavam os grandes discursos políticos e as grandes cerimónias. Mas também era o mais importante centro comercial e o local onde os gladiadores se confrontavam.

A Acta era o jornal da época, pois continha o que acontecia no Senado, por exemplo, as propostas de lei aprovadas e partes dos discursos.

Fórum Romano - Fake News
Fórum Magno ou Fórum Romano, onde se organizavam os grandes discursos políticos e eventos públicos.

Mas sabes como nasceu a Acta? Foi uma decisão do Imperador Júlio César que só queria mostrar ao povo como os senadores estavam contra as suas políticas populistas. Assim, era também um veículo de propaganda.

Romanos sabiam do poder da informação

De resto, a guerra de informação teve o seu início na Roma Antiga, após o assassinato de Júlio César. A luta de poder entre o general Marco António e o filho adotivo do Imperador morto, Octávio, levou ao uso de armas de propaganda como a poesia, para ataques mútuos.

Mas Octávio foi mais esperto e recorreu a moedas com frases curtas e letais para passar os boatos que lhe interessavam – eram os tweets da Antiga Roma!

Assim, a informação já era uma importante fonte de poder naqueles tempos. E a atestá-lo está o facto de já existirem “fake news” na Antiga Roma.

Portanto, já naqueles tempos se espalhavam rumores para lesar a imagem dos adversários políticos. Repara que alguns desses boatos sobreviveram até hoje!

Um bom exemplo disso é o Imperador Nero que é visto como louco e como o responsável pelo grande incêndio de Roma no ano de 64 Depois de Cristo.

Na verdade, Nero nem estaria em Roma no dia do incêndio que terá sido acidental, como avança o arqueólogo espanhol Néstor F. Marqués no livro “Fake News de la antigua Roma. Engaños, propaganda y mentiras de hace 2000 años” (Fake News da antiga Roma. Enganos, propaganda e mentiras de há 2000 anos).

Jornalismo Antes e Depois: Como era antigamente

Antes: Jornalismo à moda antiga

Antes do advento da Internet e das novas tecnologias, podemos dizer que tínhamos um “Jornalismo slow”. Mas a referência não é só à lentidão de meios, pois não havia telemóveis, nem computadores. Portanto, estamos a falar da forma como se faziam as notícias.

Havia uma necessidade de confirmar e reconfirmar os factos todos antes de os publicar. Como não havia a concorrência que existe atualmente, nem a pressa de publicar o quanto antes, os Jornalistas podiam dar-se a esse luxo.

Nos anos de 1930 e 1940, a Rádio era ainda o veículo que dominava a informação. E a morte do presidente norte-americano Roosevelt, em 1945, chegou em direto, com a emissão interrompida, o que era algo extraordinário naqueles tempos. Tens que pensar que as notícias de hoje só saíam no dia seguinte no jornal.

Mas nos anos de 1950, a Televisão foi a grande revolução que acabou por atirar a Rádio para segundo plano.

Em Portugal, a RTP começou a emitir regularmente em 1957, a preto e branco. Mas o primeiro Telejornal diário só apareceu em 1959, com o pivot de papéis na mão, onde estavam escritos o alinhamento e as notícias. Ao longo dos anos, o canal público acompanhou alguns dos momentos mais marcantes da nossa história.

A censura do “lápis azul”

Recuando a esses tempos distantes, é preciso lembrar o período da censura e do “lápis azul” durante a ditadura do Estado Novo. Os Jornalistas precisavam de fazer malabarismos e de ter muita criatividade para conseguirem passar certas informações.

Nesses tempos, tinham de fazer a cobertura de guerras no terreno, pois era a única forma de saber o que acontecia mesmo! Um cenário bem diferente do atual, onde, com o chamado “Jornalismo do cidadão”, qualquer pessoa pode filmar o que acontece com o seu telemóvel.

Nas redações de outrora, eram os homens que dominavam. Aliás, tempos houve em que não havia mulheres no Jornalismo. Atualmente, já são elas que dominam a profissão em número.

Além destas circunstâncias, podemos dizer que os Jornalistas eram mais respeitados. O seu papel era verdadeiramente relevante, pois não havia os meios técnicos que permite, hoje em dia, a qualquer um revelar informações e registar factos.

Jornalismo Antes e Depois: Na Era Digital

Depois: Jornalismo da era digital

Nos últimos 20 a 30 anos, o Jornalismo viveu mudanças extraordinárias graças à evolução da tecnologia. Essas mudanças tiveram efeitos na forma e no conteúdo das notícias, mas também no papel do Jornalista. Hoje em dia, a profissão está envolvida em incertezas quanto à sua importância no mundo moderno.

O aparecimento dos blogues e das redes sociais acabaram por esvaziar, em parte, a função do Jornalista. Desse modo, qualquer pessoa passou a ter “voz” na Internet e, portanto, a poder informar os demais.

Assim, a indústria precisou de se adaptar às exigências do público que procura, agora, atualizações em tempo real e de forma contínua.

Vivemos, portanto, numa realidade de “Jornalismo fast”, ou seja, com a pressa a tomar conta das notícias, o que causa, inevitavelmente, alguns erros.

Mas a necessidade de conseguir audiências e cliques pressiona também os profissionais a criarem notícias com títulos apelativos – o que, muitas vezes, leva a títulos enganosos e sensacionalistas.

Não raras vezes surgem ainda situações em que os Jornalistas se deixam levar por boatos e fake news espalhadas pelas redes sociais. Essa distinção entre o real e o falso é um dos grandes desafios dos profissionais atuais.

A autocensura económica

E se hoje em dia, não há censuras políticas, nem ameaças de prisão, os Jornalistas enfrentam outro tipo de constrangimentos, como, por exemplo, ameaças de processos. Isso acaba por levar alguns a uma autocensura por temerem as consequências económicas, pois podem ter de pagar indemnizações, honorários de advogados e custas judiciais.

Ao contrário dos tempos em que a Rádio e a Televisão dominavam a informação, agora é a era da Internet. Mas é um campo de muita concorrência, com os media a dependerem do Google e das redes sociais para conseguirem visitas para as suas notícias. A par disso, as receitas de publicidade próprias estão em queda.

Esse cenário levanta desafios acrescidos aos Jornalistas e está a alimentar a tendência do acesso pago a conteúdos Premium, ou seja, exclusivos e de qualidade.

Mas será que o público em geral está disposto a pagar por informação? É que o espírito da Internet é precisamente o livre acesso a informação.

Contudo, esse é só um dos desafios que a profissão enfrenta no futuro próximo.

Certo é que os Jornalistas atuais são muito mais dinâmicos e enfrentam maiores exigências do que os seus colegas de outrora. Nesse sentido, apareceu também o conceito de Jornalista Digital que se refere aos profissionais que trabalham exclusivamente em médias online.

Hoje em dia, precisam de ter competências mais amplas que já não passam só pela capacidade de escrita e de questionar o mundo em que vive. Mas também têm de dominar as redes sociais e áreas como o Marketing, bem como ferramentas tecnológicas.

Jornalismo Antes e Depois: Quase nada mudou…

Todavia, para lá das diferenças de métodos, na sua essência, o Jornalismo nada mudou. O papel do Jornalista continua a ser recolher informação, confirmar as fontes, apresentar esses dados de forma percetível para o leitor e chegar às audiências.

Além disso, continua a ser uma profissão mal paga que vive da paixão e do amor à camisola.

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